Sonho com tantas coisas simples e diversas vezes já me refugiei da realidade nesses "lugares" criados pela vontade e pela imaginação. É lá que apenas o Bom e o Belo existem e a miséria, o desrespeito, a ignorância, o preconceito e a maldade deixam de ter vez.
Levo também pra esse mundo as músicas, porque acredito que elas são uma forma de ligação com O Mundo Superior, seja ele como quer que você o imagine. Ah, as músicas das quais falo são as que tocam a alma, as que já existiam antes que alguém as "percebesse" e as tocasse; você reconhece essas músicas? elas te falam ao espírito e ao coração? se sim, então somos iguais; se não, bem, o mundo é feito de diferenças!!

domingo, 23 de outubro de 2011

A Seresta de Olinda

          Noite de sexta feira, 21 horas, tem início uma movimentação estranha nos degraus da Igreja de São Pedro e na praça João Alfredo, em Olinda, são pessoas que chegam de mansinho, se abraçam, cantarolam ou tocam algum instrumento. São amigos de longa data ou que estão chegando ali pela primeira vez. Quem passa e não sabe o que está acontecendo fica sem entender aquela reunião tão eclética, tantas idades juntas num só local, tantos sorrisos estampados no rosto. É a Seresta de Olinda, tão maravilhosamente contagiante e alegre.


          Há 22 anos os amantes da boa música, de várias gerações, se reunem  e acompanham os seresteiros pelas ladeiras do Sítio Histórico, quem não acompanha a caminhada fica debruçado nas janelas dos sobrados e casarões antigos esperando a passagem do lirismo que emociona e encanta. As paradas embaixo das sacadas são normais, há sempre alguém sendo homenageado. Os sons embriagam os ouvidos, evocando momentos de saudade, fazendo com que a gente volte no tempo, para um mundo bucólico. E assim, ouvindo o som dos violinos, violões, banjos, flautas, pandeiros e cavaquinhos, todos acompanham clássicos da nossa música popular. A alegria e a euforia são contagiantes, as noites estreladas são o cenário perfeito para essas duas horas de confraternização e paz.
         Às vezes rosas são distribuídas e cada pessoa presente percebe que está em um local  diferente, fechando os olhos parece que estamos num mundo paralelo, longe do concretismo da vida e das lutas diárias. O tempo deixa de ser o fator determinante de nossas vidas. Os turistas parecem enfeitiçados, rodopios e danças pelas íngremes ladeiras são uma constante, aplausos ecoam, vozes distoantes mas que se tornam tão belas como a de qualquer tenor cantam músicas como Ave Maria no Morro, O Bêbado e a Equilibrista, Ex-Amor, As Rosas Não Falam, Ronda, Evocação Nº1, Flor de Liz, Roendo Unha, Alguém Me Disse, Madeira que Cupim Não Rói, Meu Cenário, repertório já tantas vezes ouvido pelas antigas ladeiras....


         Nesses momentos percebemos a absoluta relatividade do tempo, enquanto o relógio nos diz que já se passaram 2 horas, nosso coração diz que foram apenas alguns instantes, afinal como pode ter sido tão rápido? Mas já passamos pela Prefeitura cantando "Adeus, adeus, minha gente, que já cantamos bastante, e Recife adormecia, ficava a sonhar, ao som da triste melodia", já observamos, nas noites de lua cheia, a imensidão do mar lá embaixo, já fizemos a curva que nos leva de volta à Igreja de São Pedro e ao momento da despedida ao som de "Olinda! quero cantar a ti, esta canção, teus coqueirais, o teu sol, o teu mar, faz vibrar meu coração....", momento esse que é propositalmente adiado ao máximo por cada componente desse imenso coral, dando início a uma nova canção, e assim continuando o momento mágico, mas infelizmente está acabando.... tem problema não, próxima sexta tem mais.


         Essa é nossa forma de perpetuar a cultura e assim é Olinda, com seus casarios e personalidade própria, com um ar bucólico cheirando a mar, com o vento forte e constante que sopra nos coqueiros e com a música que se faz ouvir pelos "Quatro Cantos" fazendo com que todos queiram voltar.

         Foram dois fins de semana sem conseguir postar nada, acho que estava passando por uma crônica falta de inspiração, espero não ter outra dessas, rsrsrsr. Trouxe pra quem não conhece um pouquinho da beleza olindense, quem vier a Olinda e gostar de música não pode deixar de participar dessa festa que alimenta a alma e acontece todas as sextas feiras.
         Quero agradecer a todos que visitaram o blog, voltem sempre. Quem deixou seus recadinhos e comentários, mesmo sem saber, me ajuda a continuar, é muito bom saber que o que a gente escreve agrada a alguém. Rose (do blog http://inforbibliorose.blogspot.com/) e Lucy, obrigada meninas e Rô (do blog http://romancesaovento.blogspot.com/), amiga, muiiito obrigada pelo teu carinho no blog e fora dele.
         Sandra e Eduardo, espero que a gente possa participar de muitas outras serestas.
         Beijos a todos e uma maravilhosa semana!!!!

5 comentários:

  1. Adoro ler seu blog.... aliás... amo este assunto que desenvolve!!!! Adorei saber um pouquinho mais de Olinda!! Preciso conhecer de perto!!! Beijos querida! <3

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  2. Amiga, que descrição maravilhosa!!! Olinda é pura cultura. E você vive isso bem de perto, não é?! Adoro essas músicas cantadas pelos blocos líricos dos carnavais antigos e é em Olinda que eles estão. Amei... É muito importante divulgar a cultura do nosso estado. Parabéns! Beijos.

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  3. Que coisa mais linda essa manifestação em Olinda, Nadja! Não a conhecia. Fico imaginando como deve ser andar por aquelas ruas ricas em história e casarios antigos ao som de uma serenata como a que mostraste. Fantástico!
    Parabéns pelo lindo post, minha amiga querida! Só tu mesmo para nos levar nessas viagens pelo mundo da música.
    Beijos!

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  4. Não tinha conhecimento dessa cultura que espetáculo deu até vontade de participar!

    Caprichou no post como sempre.

    Beijãoo

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  5. Adorei o texto, aliás um blog lindo, que expressa a pura realidade da cultura Pernambucana. Amo a Seresta, sou frequentadora há anos e aconselho a quem não conhece, dar-se o direito de apaixonar-se por ela. Parabéns pelo blog!

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